Resenha: O Totem do Lobo, de Jiang Rong


Esse é um livro que li já faz um tempo, mas é uma leitura incrível que sempre que posso recomendo a outros. Vou explicar por que.



Background

A história se passa na década de 60 durante a Revolução Cultural da China, onde um estudante chines (Chen Zhen) é enviado junto com outros colegas para as estepes mongóis (na região conhecida como Olonbulag). Nessa época (segundo a história), a China dominava esta região da Mongolia Interior.
A vida do jovem estudante começa a mudar quando esse aprende sobre os costumes do povo das estepes mongóis e o ao invés de simplesmente pastorear ovelhas, este aprende sobre a vida de adoração e luta contra os lobos.

Mas o que tem de tão legal?

O que tem de legal é que você descobre sobre coisas que nunca imaginou que os lobos fossem capazes de fazer, e sobre
como sua existência no ambiente é de extrema importância para o equilíbrio de todas as vidas que no vivem naquele nicho.
E é tudo muito bem escrito, que muitas vezes você sente que está la deitado na neve numa noite de breu, esperando os lobos fazerem seus ataques, enquanto os mais velhos te explicam exatamente quais “táticas de guerra” os lobos estão usando.

Digo “táticas de guerra” por que de fato muitas das táticas empregadas por Genghis Khan foram aprendidas observando os lobos. Isso é outro ponto muito legal, a carga histórica do livro.
A todo momento eles relatam acontecimentos históricos e como, de certa forma, os lobos tiveram ligação com isso.

Para se ter uma ideia, para esse povo, a ideia de manter um alimento congelado para este durar mais (geladeira, ou no caso deles, deixar a carne enterrada na neve) foi adaptada dos lobos também, pois estes ao invés de comerem toda uma caçada, muitas vezes deixavam as gazelas mortas ou feridas presas na neve, para que assim que o gelo começasse a derreter, esses terem alimento garantido.

Bando de puxa saco de lobo

Logo no começo da história você percebe que não é bem assim. Pois para sobreviverem (eles são pastores em sua maioria) eles devem se defender dos lobos. Assim, o que eles vivem é uma guerra constante, onde lobos atacam constantemente os pastores, e estes algumas vezes atacam os lobos também. Tudo isso funciona num delicado equilíbrio, pois os lobos controlam as populações de animais que comem as gramas, fazendo assim com que sempre tenha grama para as ovelhas dos pastores. Porém quando a população de lobos fica muito grande, os humanos caçam os lobos para que mantenha o equilibro.

No final das contas a impressão que você tem é que esse mecanismo é tão delicado e perfeito em sua maneira que lembra aqueles projetos loucos de engenharia onde uma bola de gute bate num duende de jardim que por sua fez solta um balão de ar que faz com que estoura… e por fim apaga a luz do quarto como era de se esperar…

Crítica a sociedade

Outro ponto forte nessa leitura é como muitas vezes o autor (Jiang Rong, um chines que fugiu do país) faz uma metáfora dos lobos sendo os mongóis e das ovelhas sendo os chineses. Ele critica bastante os ideais da revolução chinesa e mostra o quanto da cultura do das estepes do Olonbulag foram deturpadas.
Não é atoa que ele teve que fugir do pais, e se não me engano teve que usar um pseudônimo durante muito tempo.

Leia!

Essa é uma ótima história, boa pra quem gosta de muita referencia histórica, para quem gosta de uma história parada, mas também para quem gosta de um ritmo frenético (todo ataque de lobos você fica com o coração a 100/hr).
Além disso a história faz você pensar sobre as ações e o tipo de pensamento destrutivo que muitas vezes levam a humanidade (não só os chineses) a destruir eco sistemas inteiros.

E obvio, se você é que nem eu, que adora lobos, então vai agora ler esse livro e não fala comigo até ter terminado!
(mas pode continuar acessando o blog viu? não pare de visitar não huaehuaehuae)

Abraços

About arruda

Adoro programar, descobrir novas frameworks ágeis e suas diversas aplicações.